EM QUE SENTIDO A IGREJA PODE SER CHAMADA UNA ?

Entre os atributos da igreja, o primeiro é sua unidade, a qual flui de sua natureza. Pois, visto ser ela uma sociedade santa e um corpo místico, que abrange todos os eleitos unidos no vínculo do mesmo espírito, fé e amor entre si e com Cristo, necessariamente deve ter certa unidade pela qual todos os seus membros podem ser mutuamente ligados. Tampouco é suficiente que a multidão dos eleitos tenha o mesmo pensamento e mente, a menos que pensemos nessa unidade da igreja em que possamos ser persuadidos de que realmente estamos plantados; pois, a menos que estejamos unidos sob Cristo, o cabeça, com todos os membros restantes, não nos aguarda nenhuma esperança de uma herança futura. Por isso, o esposo diz: “Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada, de sua mãe, a única, a predileta daquela que a deu à luz” (Ct 6.9). Em todos os lugares ela é representada sob um só corpo e um só rebanho.
Visto que a igreja pode ser vista quanto ao seu estado externo ou interno, por isso mesmo a questão sobre sua unidade pode ser disputada com respeito a ambos. Aqui não tratamos de sua unidade visível e quanto ao seu estado externo, visto que ela é o domicílio dos crentes (quanto à profissão de fé e comunhão das coisas sacras); nem dos cismas que podem ocorrer nela (de cuja unidade falaremos mais adiante). Antes, tratamos da unidade interna e invisível que pertence à igreja propriamente assim chamada, quanto ao estado interno.
Além disso, não tratamos de uma unidade acidental, seja de lugar ou de tempo ou de ritos ou de época, visto ser evidente que ela obtém uma diversidade múltipla nestes particulares e, como tem sua sede em vários lugares e pertence a todos os tempos, assim ela não é de uma só época, mas de muitas, pelas quais passa sucessivamente, ora experimentando sua infância, então sua juventude, e, por fim, chega à maturidade. Nem é uniforme quanto aos ritos e governo. Porém tratamos da unidade essencial, a qual permanece a mesma em vários lugares, bem como em vários tempos, pela qual os crentes adoram o mesmo Deus, reconhecem o mesmo Salvador, têm a mesma fé, são animados com o mesmo Espírito e são membros do mesmo corpo. Esta pode ser analisa da em seis tópicos: unidade (1) do corpo; (2) do cabeça; (3) do espírito; (4) da fé; (5) do amor; (6) da esperança.
Unidade do corpo.
Visto que a igreja pode ser vista quanto ao seu estado externo ou interno, por isso mesmo a questão sobre sua unidade pode ser disputada com respeito a ambos. Aqui não tratamos de sua unidade visível e quanto ao seu estado externo, visto que ela é o domicílio dos crentes (quanto à profissão de fé e comunhão das coisas sacras); nem dos cismas que podem ocorrer nela (de cuja unidade falaremos mais adiante). Antes, tratamos da unidade interna e invisível que pertence à igreja propriamente assim chamada, quanto ao estado interno.
Além disso, não tratamos de uma unidade acidental, seja de lugar ou de tempo ou de ritos ou de época, visto ser evidente que ela obtém uma diversidade múltipla nestes particulares e, como tem sua sede em vários lugares e pertence a todos os tempos, assim ela não é de uma só época, mas de muitas, pelas quais passa sucessivamente, ora experimentando sua infância, então sua juventude, e, por fim, chega à maturidade. Nem é uniforme quanto aos ritos e governo. Porém tratamos da unidade essencial, a qual permanece a mesma em vários lugares, bem como em vários tempos, pela qual os crentes adoram o mesmo Deus, reconhecem o mesmo Salvador, têm a mesma fé, são animados com o mesmo Espírito e são membros do mesmo corpo. Esta pode ser analisa da em seis tópicos: unidade (1) do corpo; (2) do cabeça; (3) do espírito; (4) da fé; (5) do amor; (6) da esperança.
Unidade do corpo.
Ainda que ela seja constituída de várias partes, como de tantos membros vivos em diferentes lugares e tempos, contudo é um só corpo, o qual se origina de todas as partes, como o apóstolo claramente declara: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo” (ICo 12.12; cf. Rm 12.5) (a saber, o Cristo místico, i.e., a igreja). Assim, nem uma multidão de crentes, nem a diversidade de ofícios, idade ou disposição podem impedir que os crentes sejam um só em Cristo: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (ICo 12.13). Quando Agostinho explica isso com respeito aos crentes do Antigo e do Novo Testamentos, ele usa a similitude do nascimento de uma criancinha, cuja mão aparece antes da cabeça. “Justamente como em determinado nascimento a cabeça não nasce antes que a mão a tenha precedido; no entanto, a mão está ligada à cabeça. Portanto, não se pressupõe, irmãos, que todos os justos que têm sofrido perseguição da parte dos perversos, mesmo aqueles que chegaram a anunciar o advento do Senhor antes de seu próprio advento, não pertencem aos membros de Cristo” (In Psal- mum LXI Ennaratio 4 [PL 36.731]).
Visto que se admite um corpo contínuo e composto de partes diferentes, a composição é como uma mera agregação, como o corpo de um estado e família, ou um rebanho de ovelhas, ou a unidade de uma casa. A primeira é como a unidade de um só sujeito, tal como o corpo humano. A Escritura costuma descrever a unidade do corpo da igreja de uma maneira dupla, ora sob o símbolo da “unidade de um rebanho”, em que judeus e gentios se unem num só (“ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor”, Jo 10.16), e da “unidade de um estado e povo sob o mesmo rei” (“assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus”, Ef 2.19). E uma vez mais sob o símbolo da “unidade do corpo”, quando os crentes são chamados de membros uns dos outros e de Cristo, o cabeça (ICo 12.12; Ef 1.22).
Visto que se admite um corpo contínuo e composto de partes diferentes, a composição é como uma mera agregação, como o corpo de um estado e família, ou um rebanho de ovelhas, ou a unidade de uma casa. A primeira é como a unidade de um só sujeito, tal como o corpo humano. A Escritura costuma descrever a unidade do corpo da igreja de uma maneira dupla, ora sob o símbolo da “unidade de um rebanho”, em que judeus e gentios se unem num só (“ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor”, Jo 10.16), e da “unidade de um estado e povo sob o mesmo rei” (“assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus”, Ef 2.19). E uma vez mais sob o símbolo da “unidade do corpo”, quando os crentes são chamados de membros uns dos outros e de Cristo, o cabeça (ICo 12.12; Ef 1.22).
Unidade do cabeça,
A Unidade do cabeça, que dá unidade ao corpo - para a 'igreja há um só cabeça. E também necessário que um só corpo a constitua, visto que não pode haver um corpo com duas cabeças, nem uma cabeça com dois corpos. Paulo frequentemente expande este mistério, mas especialmente quando diz: “de fazer convergir (anakepha- laiõsasthai) nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.10). “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as
coisas” (vv. 22,23).Tampouco se requer qualquer outro cabeça para a igreja universal, porque, como onipresente e onipotente, ele pode estar com seus membros em todos os lugares e sempre, e os governa e protege por sua influência vivificante. De modo que inutilmente os romanistas apresentam aqui que, a fim de constituir a veracidade da igreja, requer-se a unidade de um cabeça visível e subalterno (como veremos no lugar próprio).
A Unidade do cabeça, que dá unidade ao corpo - para a 'igreja há um só cabeça. E também necessário que um só corpo a constitua, visto que não pode haver um corpo com duas cabeças, nem uma cabeça com dois corpos. Paulo frequentemente expande este mistério, mas especialmente quando diz: “de fazer convergir (anakepha- laiõsasthai) nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.10). “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as
coisas” (vv. 22,23).Tampouco se requer qualquer outro cabeça para a igreja universal, porque, como onipresente e onipotente, ele pode estar com seus membros em todos os lugares e sempre, e os governa e protege por sua influência vivificante. De modo que inutilmente os romanistas apresentam aqui que, a fim de constituir a veracidade da igreja, requer-se a unidade de um cabeça visível e subalterno (como veremos no lugar próprio).
Unidade do espírito,
Unidade do espírito, a qual flui da unidade do cabeça para e constituir a unidade do corpo. Justamente por isso, um só cabeça ’ tem um só corpo bem unido a ela, porque, por um só espírito, ela envolve e anima todos os membros. Por isso, o apóstolo junta a unidade do espírito à unidade do corpo (1 Co 12.13; Ef 4.4) e, em outro lugar, “aquele que está unido ao Senhor é um só espírito com ele” (1 Co 6.17). Ora, ainda que este espírito seja expresso sob diferentes símbolos e seja descrito como sétuplo em virtude da diversidade de dons que ele outorga aos crentes (Ap 1.4; ls 11.2), contudo não menos é ele um só quanto à essência: “pois um e o mesmo Espírito opera todas essas coisas”, diz Paulo (ICo 12.11).
Unidade do espírito, a qual flui da unidade do cabeça para e constituir a unidade do corpo. Justamente por isso, um só cabeça ’ tem um só corpo bem unido a ela, porque, por um só espírito, ela envolve e anima todos os membros. Por isso, o apóstolo junta a unidade do espírito à unidade do corpo (1 Co 12.13; Ef 4.4) e, em outro lugar, “aquele que está unido ao Senhor é um só espírito com ele” (1 Co 6.17). Ora, ainda que este espírito seja expresso sob diferentes símbolos e seja descrito como sétuplo em virtude da diversidade de dons que ele outorga aos crentes (Ap 1.4; ls 11.2), contudo não menos é ele um só quanto à essência: “pois um e o mesmo Espírito opera todas essas coisas”, diz Paulo (ICo 12.11).
Unidade da fé
Unidade da fé, porque esta é uma só (Ef 4.5); tanto da fé aquela que crê como aquela pela qual se crê (i.e., uma só doutrina da salvação proposta no evangelho), cuja fé abraça, que, tanto subjetivamente, com respeito aos crentes, quanto objetivamente, com respeito ao objeto para com o qual ela é conduzida, sempre foi e será uma só, seja antes ou depois de Cristo, pois este é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8). Pois, embora a revelação possa ter se avolumado posteriormente quanto ao modo e grau de manifestação, e tenha sido mais obscura sob o Antigo Testamento e seja mais clara sob o Novo, e então ainda será plenamente mais clara quando todos chegarmos “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade” (Ef 4.13), isto é, será consumada em glória; contudo, a substância da doutrina nas coisas necessárias para a salvação (a qual deve ser crida por todos) era a mesma. Irineu ensina isso de modo mui excelente: “A igreja semeada por todo o mundo até aos confins da terra, tanto pelos apóstolos quanto por seus discípulos, a fé uma vez recebida, a qual está posta no Deus único, o Pai Todo-Poderoso, que fez o céu e a terra, e no único Jesus Cristo, o Filho de Deus, encarnado para nossa salvação, e no Espírito Santo” (Contra as Heresias 1.10*.l [ANF 1:330; PG 7.550]). “Visto que ela recebeu esta pregação e esta fé, como já dissemos, a igreja diligentemente a guarda como que habitando numa só casa, e crê de modo semelhante a eles como que tendo uma só mente e um só coração, e prega, e ensina, e crê nestas coisas harmoniosamente, como que possuindo uma só boca, pois embora no mundo os idiomas não sejam semelhantes, no entanto as tradições (i.e., as doutrinas do credo enunciadas na Escritura) são uma e a mesma; não que as igrejas fundadas na Alemanha creiam e ensinem de outro modo, nem as da Espanha etc. Porém, como o sol, criatura de Deus, é um e o mesmo no universo, assim também a luz da pregação da verdade resplandece por toda parte, e ilumina todos os homens que desejam vir ao conhecimento da verdade” (ibid., 1.10*2 [ANF 1:331; PG 7.551,554]).
Unidade do amor
Unidade do amor, que segue a unidade da fé, pela qual os crentes, unidos a Cristo pela fé, devem viver unidos pelo amor para que seja mantida “a unidade do Espírito, no vínculo da paz” (Ef 4.3) e os crentes se tomem um só coração e uma só alma (At 2.46). Justamente por isso ela é chamada de “o vínculo da perfeição” (Cl 3.14), não apenas em razão das virtudes cristãs (porque ela as aglutina, de modo que aquele que a possui também possui e exerce todas as demais, e sem ela nada são), mas também quanto à igreja (a qual, como a casa do Senhor, é mantida unida pelo cimento do amor, Ef 4.16) e quanto aos crentes e membros da igreja (que os une, de modo que cada um realiza seu próprio dever e dá auxílio mútuo para a utilidade e conservação do corpo).
Unidade do amor, que segue a unidade da fé, pela qual os crentes, unidos a Cristo pela fé, devem viver unidos pelo amor para que seja mantida “a unidade do Espírito, no vínculo da paz” (Ef 4.3) e os crentes se tomem um só coração e uma só alma (At 2.46). Justamente por isso ela é chamada de “o vínculo da perfeição” (Cl 3.14), não apenas em razão das virtudes cristãs (porque ela as aglutina, de modo que aquele que a possui também possui e exerce todas as demais, e sem ela nada são), mas também quanto à igreja (a qual, como a casa do Senhor, é mantida unida pelo cimento do amor, Ef 4.16) e quanto aos crentes e membros da igreja (que os une, de modo que cada um realiza seu próprio dever e dá auxílio mútuo para a utilidade e conservação do corpo).
Unidade da esperança
Unidade da esperança (Ef 4.4), isto é, a herança celestial para a qual somos todos igualmente * chamados, e da qual seremos todos participantes, cada um em seu próprio tempo (Cl 1.5; Rm 8.17). Tampouco uma glória é armazenada para o grande, outra para o pequeno; uma para os judeus, outra para os gentios - mas uma e a mesma glória para todos - a herança dos santos em luz.
Unidade da esperança (Ef 4.4), isto é, a herança celestial para a qual somos todos igualmente * chamados, e da qual seremos todos participantes, cada um em seu próprio tempo (Cl 1.5; Rm 8.17). Tampouco uma glória é armazenada para o grande, outra para o pequeno; uma para os judeus, outra para os gentios - mas uma e a mesma glória para todos - a herança dos santos em luz.
unidade do batismo
A unidade do batismo, da qual fala o apóstolo no mesmo no mesmo lugar pertence a igreja visível e ao seu estado externo, a menos que entendamos ser o batismo interno, em vez do externo (i.e., a coisa significada em vez do sinal).
A unidade do batismo, da qual fala o apóstolo no mesmo no mesmo lugar pertence a igreja visível e ao seu estado externo, a menos que entendamos ser o batismo interno, em vez do externo (i.e., a coisa significada em vez do sinal).
Embora haja muitas igrejas particulares espalhadas pelo mundo fora, a unidade da igreja nem por isso é interrompida ou seu corpo desprezado, porque a igreja universal permanece sempre uma, composta destas várias partes, as quais (visto que são homogêneas [homoiomereis]) obtêm o mesmo nome que o todo.
Para confirmar isso, a unidade de Deus e Pai de todos contribui grandemente, que é dito estar acima de todos (epipantõn) em autoridade e domínio; por meio de todos (diapantõn) e, mediante sua providência, pela qual ele permeia, sustenta e governa todas as coisas; e em todos (en pasi) por sua graça (Ef 4.6).
Além do mais, essas várias espécies de unidade que ocorrem nas igrejas são muitos argumentos eficazes para que os crentes acalentem entre si o amor e a concórdia, e preservem a unidade do Espírito no vínculo da paz (a cujo propósito são fomentados pelo apóstolo, Rm 12; Ef 4; ICo 12).
Para confirmar isso, a unidade de Deus e Pai de todos contribui grandemente, que é dito estar acima de todos (epipantõn) em autoridade e domínio; por meio de todos (diapantõn) e, mediante sua providência, pela qual ele permeia, sustenta e governa todas as coisas; e em todos (en pasi) por sua graça (Ef 4.6).
Além do mais, essas várias espécies de unidade que ocorrem nas igrejas são muitos argumentos eficazes para que os crentes acalentem entre si o amor e a concórdia, e preservem a unidade do Espírito no vínculo da paz (a cujo propósito são fomentados pelo apóstolo, Rm 12; Ef 4; ICo 12).
Comentários
Postar um comentário