O TITULO´´ CATÓLICA`` E SUA ANTIGUIDADE DEFINEM A IGREJA ROMANA COMO A VERDADEIRA IGREJA ?
Em particular contra o título “católico”, dizemos: (1) ele não pode constituir uma marca essencial, porque o título “católico” as vezes> se torna um título sem a coisa (ls 1.10; Rm 2.17,28; Ap 3.1). Ao anjo de Sardes é dito que “vives”, não obstante “estás morto”. Cristo predisse que viriam falsos cristos, os quais se autodenominariam de cristos (Mt 24.24). Os judeus se orgulhavam de ser o povo de Deus e os filhos de Abraão, com o qual, não obstante, nada tinham a ver (Jo 8.33). Os falsos apóstolos se denominavam ministros da justiça (2Co 11.14,15). Os crentes devem ser avaliados não com base em seu título, mas com base na veracidade da coisa; não devemos inquirir quem deve ser denominado de católico, mas quem realmente o é. Agostinho diz: “Em que base você se gloria de ser cristão? Você que mantém o nome e não realiza os atos”. E mais adiante: “Se, pelos atos, você não provar que é um cristão, ainda que todos o chamem de cristão, o que prova esse nome em você, se o próprio fato não for encontrado?” (Homily 5, On the Epistle of John [NPNF1,7:492; PL 35.2019]). Pode-se dizer a mesma coisa do título “católico”. (2) Ele não é próprio, porque antigamente os novacianos, os donatistas, os arianos e outros hereges reivindicavam para si esse título. Lactâncio afirma: “As assembleias individuais dos hereges acreditam que são especialmente cristãs, e que sua igreja é a igreja católica” (Divine Institutes 4.30 [FC 49:325; PL 6.543]). Agostinho afirma: “Todos os hereges desejam ser chamados de católicos” (Against the Epistle of Manichaeus Called Fundamental 4 [NPNF1, 4:130; PL 42.175]). (3) Não é inseparável, porque havia uma igreja no Antigo e no Novo Testamento, embora não fosse chamada católica nem cristã. (4) A marca de uma coisa disputada é impropriamente tomada de um nome, visto que a imposição de nomes é não apenas arbitrária, mas também, com frequência, divorciada de toda razão; é especialmente irracional que cada um atribua a si o que deseja ser segundo o significado da palavra. Pois alguns são repreendidos por denominarem-se judeus, quando de fato não o são; porém mentem e pertencem à sinagoga de Satanás (Ap 2.9). E, assim, o argumento com base no nome é muitíssimo trivial e sofistico. Pois, com muita frequência, bajuladores e sofistas impõem nomes capciosos a uma coisa mui desditosa. Nem sempre o título se origina da instituição, mas às vezes do uso e opinião do povo comum, que atribui nomes e títulos ao que é sem valor. Não obstante, buscamos aqui as marcas reais, não nominais, as quais (mesmo em meio ao silêncio) possam designar a coisa. Não buscamos palavras, as quais, uma vez mudadas, a própria coisa não seja mudada. (5) Se ser chamado de católico é uma marca da igreja, e isso provém de Deus, no entanto, a Escritura é inteiramente silenciosa sobre tal coisa. Ou, se tem sua origem nos oponentes, estes não são nossos juízes. Ou, se tem origem em seu próprio povo, que direito têm de assumir como marca o nome que atribuem a si próprios, só porque os hereges costumavam afixar diante de si nomes capciosos?
(1) Em vão nossos oponentes objetam dizendo que o título católico não se harmoniza com os hereges , os quais são denominados a partir de seus autores - Ario, Nestório, Eutico, Pelágio, entre outros -, mas somente com a verdadeira igreja. Pois ele é ou subentendido somente do nome, sem a coisa, e, assim, pode concordar com hereges (como testifica a experiência de outrora, bem como de nossos tempos), ou da coisa em si com o nome, e, assim, é indubitável que não concorda com eles. Porém assim uma separação é feita com base na questão que diz respeito ao nome, não na causa da denominação.
(2) Nem é própria, visto que a sinagoga da antiga serpente é igualmente antiga, propagada por Caim desde então até nossos dias.
(3) Nem é inseparável, porque a igreja nascente, do Antigo e do Novo Testamentos, não era antiga e, o que hoje é antigo, em outro tempo era novo. Como a raça humana começou, assim também se dá com a igreja
(4) Nem é clara, mas muito obscura,porque seu conhecimento depende de um conhecimento muito acurado de todos os tempos. Ora, quão poucos há que podem obter esse conhecimento e saber com certeza quando esta ou aquela doutrina e igreja começaram.
(5) É falaciosa, pois, assim como os gibeonitas (tendo inventado uma longa existência) enganaram os israelitas, assim também muitos forjam antiguidade que surgiu ontem ou no dia anterior, e cujas invenções são mui recentes.
(6) Os pagãos, em suas disputas contra os cristãos, apelavam perenemente para sua antiguidade. Justino atribui aos pagãos o dito: “É bom preservar os costumes antigos [ta palaia ethê kalon einai têrein] e transferir a verdade para o costume, indica o insensato [anoêtõn] (First* Apology 49 [FC 6:86; PG 6.401]). Símaco afirma: “Se idade confere autoridade às religiões, a fé deve ser preservada ao longo de muitas eras, e nossos pais devem ser seguidos por nós, os quais, ditosamente, seguiram os seus” (cf. “Relatio Symmachi Urbis Praefec- ti”, Ambrosii... Epistolae in duas Classes Distributae: Prima Classis [PL 16.1009]). Lactâncio afirma: “Estas são as religiões que, recebendo-as de seus ancestrais, continuam persistentemente a proteger e a defender; não levam em conta o que elas são, mas confiam nisto - que elas são aprovadas e verdadeiras porque os antigos as transmitiram, e tão grande é a autoridade da antiguidade que inquirir sobre ela equivale a um crime” (Divine Institutes 2.6 [FC 49.119; CCSL 19.122]). Agostinho diz: “Os pagãos, em virtude de sua antiguidade, afirmam que retêm a verdade, porque, o que é anterior, dizem eles, não pode ser falso, como se antiguidade ou costume antigo estabelecesse a verdade” ([atualmente, Ambrosiater] Questiones veteris et Novi Testamenti: Quaesti- ones ex utroque mixtum 115 [PL 35.2345]). E, logo adiante: “Este é um costume diabólico, de que a falsidade deve ser recomendada por uma derivação da antiguidade”+. Portanto, o que os antigos respondiam aos pagãos, o mesmo também nós respondemos aos romanistas - que uma religião deve ser avaliada não com base em sua antiguidade, mas em sua veracidade.
(7) Antiguidade e “costume destituído da verdade equivale a antiguidade de erro” (Cipriano, Letter 74 [73], “To Pompey” [ANF 5:389; PL 3.1181]). Como diz Cipriano: “Se Cristo é o único que deve ser ouvido, não devemos imaginar o que outros antes de nós pensavam que deve ser feito, mas o que Cristo, que é antes de todos, fez primeiro. Pois não é justo seguir o costume humano, mas a verdade de Deus” (Letter 62 [63], “To Caecilius” [ibid., p. 362; PL 4:396-97]). Seu mestre, Tertuliano, já havia ensinado isso: “A verdade é mais antiga que tudo, a menos que eu me tenha enganado, e, por isso mesmo, a antiguidade estabelecida sobre a literatura divina me basta” (Apology 47 [FC 10:114; PL 1.581]). “Ninguém pode escrever antes da verdade, nem espaço de tempos, nem o patrocínio de pessoas, nem o privilégio de regiões. Nosso Senhor se denominou a verdade, não o costume. Não tanto a novidade, mas a verdade destrói as heresias; tudo quanto é sábio contra a verdade, isso será heresia, mesmo que seja um costume antigo” (Tertuliano, On the Veiling of Virgins 1 [ANF 4:27; PL 2.888-89]). “A Divindade viva e pertinente é julgada.não com base na novidade nem na antiguidade, mas em sua veracidade” (Ter- tuliano, Against Marcion 1.8 [ANF 3.276; PL 2.255]). Amobius afirma: “A autoridade não deve ser avaliada pelo tempo, mas pela divindade” (Case Against the Pagans 2.71 [ACW 7:183; PL 5.926]). E, assim, contende-se sobre a fé não pelo número de anos, mas pelo peso dos argumentos; nem a antiguidade faz os erros converterem-se em verdades, nem transforma em certo o que é duvidoso. (8) Na lei canônica, a autoridade de um costume antigo está sujeitada à verdade: “A verdade, uma vez manifesta, o costume se rende à verdade. Ninguém põe um costume antes da razão e da verdade, porque a razão e a verdade sempre excluem o costume” (“Decreti”, Pt. I, Dist. 8.4 Corpus Iuris Canonici [1959], 1:14 de Agostinho). E de Gregório: “Se, porventura, você fizer oposição ao costume, devemos recordar o que disse o Senhor: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ele não disse: Eu sou o costume, mas: Eu sou a verdade; e, certamente, usando a opinião de Cipriano, qualquer costume, por mais antigo que seja, por mais comum, deve ser totalmente preterido em prol da verdade” (ibid., Dist. 8.5).
A antiguidade das doutrinas, contudo, só pode ser avaliada com base na Escritura, de modo que ela é a única considerada verdadeira não por ser extraída de uns poucos séculos, mas com base na origem primeira e na própria instituição. Pois o que se pode dizer ser para nós antigo, e para nosso tempo, como havendo prevalecido por mil anos ou mais, pode ser novo na religião caso tenha começado depois de sua instituição. Cristo chama nossa atenção para isso (Mt 19.8) quando, falando do divórcio, diz: “Mas não foi assim desde o princípio” (ap ’arches ouch outõs hên), com o intuito dc nos ensinar que devemos descer ao princípio ou origem primeira da religião, se quisermos averiguar sua veracidade; da corrente lodosa e turva à fonte; da mentira e homens irresolutos a Cristo (que não sabe como enganar e mudar, o qual hoje e ontem é o mesmo, e o será para sempre). Nesse sentido, Tertuliano afirma que o primeiro é o mais confiável: “Se, evidentemente, é mais genuíno o que é anterior, o
anterior é desde o princípio, desde o princípio o que era desde os apóstolos, e, assim, será igualmente evidente que o que foi recebido dos apóstolos realmente era santo nas igrejas dos apóstolos. Vejamos bem que leite os coríntios beberam de Paulo; por qual regra os gálatas foram corrigidos; o que os filipenses, tessalonicenses e efésios deixaram para a posteridade” (Against Marcion 4.5 [ANF 3:349-50; PL 2.366]). Aqui ele conclui a prova de antiguidade nas epístolas de Paulo. Nesse sentido, ele fala contra os autores de seitas e heresias como novas e de nascimento recente. Depois ele diz: “Quem sois vós? Quando e donde viestes?”. Então acrescenta: “A possessão é minha; eu possuo primeiro; eu possuo antes; tenho origens seguras; desde os próprios autores a quem a coisa pertencia. Eu sou herdeiro dos apóstolos, como o entregaram em sua vontade; como o confiaram à fé; como asseveraram, assim eu o tenho” (Pres- cription Against Heretics 37 [ANF 3:261; PL 2.51]). Tampouco a razão é obscura, pois visto que somente a Escritura é por si só confiável (autopistos) e divina e mais antiga que as demais (enquanto que os escritos dos pais, dos quais pretendem derivar sua antiguidade, são meramente humanos e muito mais recentes e mais complexos, e também muitos são duvidosos, conjeturais e espúrios), a Escritura sozinha é necessariamente a regra dessa antiguidade doutrinária. Segundo essa regra, prontamente permitimos que nossa religião e igreja sejam comparadas e, se forem destituídas dessa antiguidade, sejam condenadas como falsas. Porém, se esse exame for instituído, virá a lume claramente que conosco está aquela verdadeira e genuína antiguidade, e a novidade de que somos acusados está com nossos oponentes. Pois as doutrinas apresentadas pela igreja romana e debatidas entre nós em parte alguma são dadas como tendo sido transmitidas por Cristo ou pelos apóstolos e, assim, sua fé, necessariamente, foi mudada e apartou-se da antiga (pristina).
anterior é desde o princípio, desde o princípio o que era desde os apóstolos, e, assim, será igualmente evidente que o que foi recebido dos apóstolos realmente era santo nas igrejas dos apóstolos. Vejamos bem que leite os coríntios beberam de Paulo; por qual regra os gálatas foram corrigidos; o que os filipenses, tessalonicenses e efésios deixaram para a posteridade” (Against Marcion 4.5 [ANF 3:349-50; PL 2.366]). Aqui ele conclui a prova de antiguidade nas epístolas de Paulo. Nesse sentido, ele fala contra os autores de seitas e heresias como novas e de nascimento recente. Depois ele diz: “Quem sois vós? Quando e donde viestes?”. Então acrescenta: “A possessão é minha; eu possuo primeiro; eu possuo antes; tenho origens seguras; desde os próprios autores a quem a coisa pertencia. Eu sou herdeiro dos apóstolos, como o entregaram em sua vontade; como o confiaram à fé; como asseveraram, assim eu o tenho” (Pres- cription Against Heretics 37 [ANF 3:261; PL 2.51]). Tampouco a razão é obscura, pois visto que somente a Escritura é por si só confiável (autopistos) e divina e mais antiga que as demais (enquanto que os escritos dos pais, dos quais pretendem derivar sua antiguidade, são meramente humanos e muito mais recentes e mais complexos, e também muitos são duvidosos, conjeturais e espúrios), a Escritura sozinha é necessariamente a regra dessa antiguidade doutrinária. Segundo essa regra, prontamente permitimos que nossa religião e igreja sejam comparadas e, se forem destituídas dessa antiguidade, sejam condenadas como falsas. Porém, se esse exame for instituído, virá a lume claramente que conosco está aquela verdadeira e genuína antiguidade, e a novidade de que somos acusados está com nossos oponentes. Pois as doutrinas apresentadas pela igreja romana e debatidas entre nós em parte alguma são dadas como tendo sido transmitidas por Cristo ou pelos apóstolos e, assim, sua fé, necessariamente, foi mudada e apartou-se da antiga (pristina).
Que esta sutil ficção, porém, em que nossos oponentes se aplaudem maravilhosamente, não passa de mera ilusão (pela qual se esforçam em impor aos mais simples) é fácil a qualquer um examinar detidamente e reconhecer. Primeiro, é ridículo (onde algo é evidente) correr à caça de circunstâncias e quando é que se deu a mudança a fim de contestar sua possibilidade. Se, porventura, alguém encontrar um homem lançado num fosso, porventura o mesmo terá dúvida ou negará que ele se encontra num fosso, o qual, não obstante, vê bem estar ali, a menos que primeiramente entenda por quem e quando ele foi lançado ali? Se alguém encontrar no caminho um homem ferido e expirando (aliás, até mesmo morto), no entanto não crerá no que vê, a menos que conheça o autor, o tempo e o lugar do homicídio? Se alguém encontrar um navio submerso, o mesmo não crerá no que vê, a menos que saiba como e em que ocasião ele começou a ir a pique? Ora, visto que esses casos se enquadram no mais elevado grau de absurdo, cujo ridículo nossos oponentes enfrentam, quem nos virá com o mesmo argumento, com o fim de desvencilhar-se da acusação de novidade e deserção? Afirmamos que a igreja romana se deformou miseravelmente, apartando-se de sua antiga fé, e estamos preparados a demonstrá-lo. Eles, porém, a fim de evitar tal exame, têm recorrido à impossibilidade de uma mudança e não se dispõem a crer que houve mudança alguma, a menos que lhes apontemos seus autores, lugar e tempo, bem como outras circunstâncias de tal mudança. Segundo, falsamente pretendem que, para demonstrar uma mudança, é preciso que concorram aquelas seis coisas; o segundo tópico é suficiente (ou seja, novidade de doutrina). Porque, se, por determinado argumento, se pode demonstrar que a doutrina é nova e não está contida nas Escrituras, isso é suficiente para provar uma mudança, ainda que o autor da doutrina ou o tempo e o lugar da mudança sejam desconhecidos. A regra da verdade que Deus nos deu é sua Palavra, não a história dos séculos. Os cristãos são obrigados a conhecê-la para a salvação como a única inspirada (theopneuston), porém não são obrigados a conhecer a história como sendo meramente um escrito humano. Além disso, Deus nos obriga a rejeitar tudo quando é acrescido à sua Palavra ou não está contido nela. Portanto, para que se descubra que uma doutrina é antiga e não nova, é preciso prová-lo com base na Escritura. Cipriano nos ensina isso excelentemente: “De onde é esta tradição”, indaga ele, “provém da autoridade dominical e evangélica, ou é oriunda dos mandamentos e epístolas dos apóstolos? Pois Deus testifica que seriam feitas aquelas coisas que estão escritas e propostas a Josué, filho de Num, dizendo que o livro desta lei não se apartasse de sua boca, mas que ele meditasse sobre ela dia e noite, para que observasse tudo quanto se acha escrito nela” (Letter 73, “To Pompey” [ANF 5:386; PL 3.1175]).
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